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Associação Nacional de Grupos

de Apoio à Adoção

Realização:

Apoio:

DUAS MENINAS

Para nós nunca houve um desejo de adotar um recém-nascido... Sonhávamos em formar uma família, em podermos dar amor e receber amor...

 

Quando começamos a namorar, eu (Luciene) já havia entrado uma vez com o processo de adoção, mas por problemas particulares havia abandonado a idéia.

 

Um dia, em meio a uma conversa, tocamos no assunto e vimos que nós duas tínhamos o mesmo desejo, assim que tivemos uma folga fomos ao Fórum e entramos com os papéis para um novo processo. Deste dia até o dia da famosa ligação foram exatos nove meses, nosso perfil era amplo de 0 a 5 anos, aceitávamos crianças com doenças tratáveis e não tínhamos preferência por sexo ou etnia. Recebemos uma criança de 2 anos e 7 meses, negra, com um diagnóstico impreciso de mutação em um cromossomo que no final demonstrou não ser nada além de uma bronquite que não era tratada adequadamente. Passaram-se 2 anos e resolvemos ampliar a família, abrimos o perfil para até 7 anos, e através do Pontes de Amor (Busca Ativa) em apenas um dia nos ligaram informando a existência de uma criança de 6 anos e alguns meses, dentro do nosso perfil em outra cidade do estado.

 

No prazo de 2 meses já a trouxemos para casa e estamos muito felizes com isto.

 

O que podemos dizer de nossa experiência com adoção: adotar uma criança mais velha tem os seus desafios, essa criança vem com uma bagagem, qualquer que seja ela, (maus-tratos, abuso, pobreza, negligência...). Muitas vezes a criança não quer ser adotada, ou porque tem esperança de voltar para a família, ou porque sofreu tanto que não consegue receber ou dar amor. Nossa

segunda filha não nos queria, veio com diagnóstico de déficit de atenção, atraso escolar, ainda não alfabetizada, sem noção de cuidados com o que lhe pertencia. Rasgava as folhas dos cadernos, perdia todo o seu material escolar, não aceitava carinho, quando era desagradada fazia xixi na roupa (apenas para irritar as pessoas)... Mas o amor resgatou tudo aquilo que a vida havia tirado dela. Em dois anos tudo isso mudou. Hoje ela está no terceiro ano do ensino fundamental, é uma menina amorosa, carinhosa, nos ama e morre de medo de um dia perder alguma de suas mães, tem carinho com a irmãzinha e as duas são cúmplices em suas artes. E o que podemos dizer é que se elas não nasceram de nós, certamente nasceram para nós....

 

Andréa e Luciene