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Associação Nacional de Grupos

de Apoio à Adoção

Realização:

Apoio:

O Advento

Um dia meu coração se comoveu... porque havia uma bebezinha... numa UTI e ninguém do Cadastro Nacional de Adoção queria... enfim. Não pensei duas vezes. Quem me conhece sabe toda a história. Até quem não me conhece sabe também... porque o amor é assim: faz a gente anunciar nos sinos das catedrais.

Hoje volto, em pleno domingo pela manhã... os sinos das catedrais anunciam, anunciam, mesmo antes das 6 da manhã... anunciam o amor, a disponibilidade dos querentes, a inocência e o amor. Então, eles chegam também.

 

Em agosto, no dia dos irmãos, soube de uma Busca Ativa para um grupo de 5 irmãos.

 

Meu coração se comoveu e eu escrevi para a comarca indicada. Dali a uns dias, a resposta.

 

Positiva porque os cinco já tinham encontrado uma família.

 

Na sequência, uma colega anunciou um novo grupo de seis irmãos. Ela não me tratou muito bem, acho que pensou que eu estava, talvez, só curiosa. Mas, uma linda aluna, recém conhecida minha, me ajudou e em pouco tempo soube que o grupo estava em Joinville e que eu me apresentasse à comarca. Me apresentei... e foi uma alegria tão grande. Seis irmãos... 4 meninas e 2 meninos.

Dei sequência à documentação, tudo o que era necessário. Meu coração já estava com eles. A moça da comarca disse: eles são tão amorosos entre eles, e também com as demais pessoas... que alegria a senhora chegar. Porque dois deles iriam para adoção internacional se a senhora não chegasse.

 

Corri, corremos! A vida tem pressa. Já estava pensando na escola, na quantidade de batom e esmalte, falei com meu cabeleireiro: daqui a uns dias chegaremos em cinco aqui! Ele disse: Não! Eu me assustei! Perguntei: por quê? Você acha que não vai dar certo? Ele respondeu ainda bravo: E a Nina?! Vocês virão em seis!!

Bem, para minha tristeza infinita, até hoje não me conformo: chegou o dia da avaliação psicossocial fui encontrar as meninas do fórum, como carinhosamente chamo, porque têm idade para serem minhas filhas. Somos também colegas de profissão. Só de profissão, talvez eu tenha mais aniversários que elas. Enfim, psicóloga e assistente social me recebem. Com a

cara chateada, meio tristes... enfim: quase tive um infarto.

 

A comarca de lá enviou somente o perfil de quatro deles. Afirmou que os dois menores já tinham ido para adoção internacional. Até hoje não entendo. Jesus! Como em 15 dias acontece tudo isso? Porque tenho o email oficial relatando os seis irmãos, os seis ainda estavam no CNA disponíveis para adoção.

 

Então, para encurtar a história. A Assistente Social, uma pessoa que admiro tanto, tanto, me disse: Olinda, podemos avaliar seu perfil para os quatro ou não avaliamos ou avaliamos para seis, mas ali não tem mais seis, apenas quatro. O que você decide?

 

Eu disse: não quero morrer, se é que vou morrer um dia, brinquei. As pessoas em minha família são longevas e partem lúcidas. Eu não quero ter a sensação que perante várias situações na vida eu me comportei como “Ah! Tá bom...” e dei de ombros! Então, vamos avaliar para seis, sete, o máximo de irmãos que puder. Vou continuar tentando com Joinville também, eu

afirmei. Quem sabe tenha chance dos seis virem. Quem sabe ainda tenha chances... Por que pensei: como? Os dois menores? Não seriam os dois maiores? Não eram os seis que eram tão unidos e amorosos e eles da comarca estavam tão felizes que eu tinha chegado?

 

O que vou fazer com os batons? Com os esmaltes? Só eu e Nina iremos ao cabeleireiro? E as saudades que eles sentirão? Eu amo tanto meus irmãos, acho que seria a pior dor para mim me separar dos meus irmãos, depois da dor maior que seria ficar sem meus pais.

 

E conversa vai, conversa vem. Falamos, fui avaliada. Sai, liguei para Joinville. Outra tristeza maior. A psicóloga que havia me atendido quase todas as vezes, a mesma que afirmou a alegria e a disponibilidade dos irmãos, me diz com voz séria e grave: só temos quatro. A senhora tem interesse por quatro? Eu falei: pelos seis! Eles não se amam? Não se importam uns com os outros? Mas, não teve jeito.

 

Saí, fui para Pinhais, pois precisava atender uma mãe e um filho. Uma situação tão triste. Só não triste porque as mães não desistem. E essa mãe é um exemplo para mim.

 

Atendi. Tudo bem. Uma conversa difícil. Difícil demais. Meu coração aperta. O jovem parece que quer morrer. E não há como ajudar. Ele foi vítima de maus tratos parentais (família extensa) quando era bebê, menino. Assim vai, um tratado sobre violência.

 

Mas, a vida é linda! Então, segui para um compromisso bancário e saindo olho o celular. Eis que tinha uma mensagem de Rosi Prigol, uma querida que atua na Busca Ativa. Mas, antes eu tinha passado os olhos e visto no Facebook, num grupo que participo. A Karol, uma linda jovem, tinha anunciado.

 

Começou ali.

 

Ainda não terminou.

 

Eles ainda não estão aqui em casa. Mas, já me chamam “mamãe”. Já chorei, já fiquei com a garganta engasgada, já respirei fundo.

Se pudesse ia correndo lá hoje. Mas é um nascimento sêxtuplo. Todo nascimento é uma jornada, é um trabalho. Sou parteira, sei disso.

 

Meus amores, amores de minha vida, hoje domingo, eu também os anuncio no sino das catedrais. E são 12h.

Uma menina e cinco meninos. Ops! Uma menina com 11 anos, meninos 10, 9, 8, 7, 6 e uma

menina com 1 ano e 4 meses. Nossa linda família, mais completa ainda.

 

Olinda