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Associação Nacional de Grupos

de Apoio à Adoção

Realização:

Apoio:

SENTIMENTOS

"Nossos filhos necessitam de nós por inteiro, mas para isso precisamos,

pai e mãe, estar bem."

NÃO ESCONDA SEUS SENTIMENTOS

Todos nós reagimos de maneiras diferentes. Podemos ser tomados pelo medo de não conseguir lidar com a deficiência, a doença, a idade ou grupos de irmãos, seja pela situação financeira, falta de tempo ou disponibilidade pessoal. Não tema sentir impotência diante dos desafios da condição de vida da criança que chegará.

 

Sentimentos de rejeição à criança também podem acontecer. Isso é natural e a maioria das pessoas que se sente assim depois se dá conta de que rejeitou não propriamente a criança, mas o que ela tem de diferente do idealizado.

 

Não se constranja nem deixe que este fato a(o) paralise. Pergunte, informe-se, conheça a realidade de outras famílias que já passaram por essa experiência e empodere-se.

 

É importante levar em conta que a condição de vida de uma criança, natural ou adotiva, poderá mudar ao longo dos anos. Os pais se fortalecem e se preparam para enfrentar todas as adversidades - e as alegrias - relacionadas à saúde e filhas e filhos, inclusive na fase adulta.

EMOÇÕES

Alguns pais ficam bastante inseguros sobre considerar a possibilidade de adotar uma criança com deficiência ou doença crônica. Nossa experiência mostra que existem diversas fases pelas quais alguns adotantes passam antes, durante ou depois da adoção:

 

A negação  é uma reação que muitas vezes ocorre. Ao ouvir a notícia de que a criança a ser adotada tem uma deficiência ou doença crônica, ou algo diferente do idealizado, é comum pensar, “não quero, não vou conseguir”.

 

Depois surgem as dúvidas: “será que eu vou ser capaz?”, “essa criança precisa de uma família mais estruturada do que a minha”.

 

Na fase da aceitação, aos poucos você começa a pensar: “embora meu filho tenha deficiência/doença/diferença, posso conviver com isso.” Em vez de “por que eu?”, você pode passar a se perguntar “por que não eu?”.

 

Converse com sua/seu companheira(o) sobre seus sentimentos. Isso permitirá elaborar melhor o que está acontecendo e ter forças para compreender sentimentos e dúvidas.

 

Se você for uma/um pretendente solteira(o), compartilhe suas dúvidas e angústias com a sua rede, seus amigos e família. Eles serão fundamentais para apoiá-la(o) nos momentos de insegurança e dúvida.

CADA UM REAGE DE UM JEITO

Não presuma que seu(sua) parceiro(a) não esteja sentindo este momento da mesma forma que você. Cada um tem uma forma de reagir. Falar sobre seus sentimentos com profissionais ou amigos próximos é uma ótima maneira de desabafar. No início, os

pensamentos conflitantes podem ser frequentes.

 

Quando tentamos prever o futuro, podemos nos sentir apreensivos ou desanimados. O importante é tentar viver um dia após o outro. Nossa tendência é planejar nossa vida e da nossa família com base nas experiências atuais. Mas a sociedade e a ciência já avançaram muito e continuam progredindo rapidamente, então as possibilidades de vida para sua/seu filha(o) vão melhorar cada vez mais nos próximos anos.

CUIDE-SE BEM

Nossa própria saúde é de vital importância. Qualquer filho que chega traz consigo uma mistura complexa de reações e novos sentimentos vão aflorar. Processos de adoção costumam ser difíceis e desgastantes, e pode ser que a criança traga desafios diferentes dos que, de início, você imaginava. É importante esperar dias bons e dias ruins e se permitir chorar, se houver

necessidade. E também descansar, como todos os pais novos que tiveram um filho.

 

Faça coisas de que goste. Coma seu prato favorito. Pesquise. Obtenha informações. O medo do desconhecido pode dificultar as coisas, levantar dúvidas, mas procure apenas saber aquilo que possa ajudar nesse momento. Não exagere. Permita-se um tempo para se recuperar.

 

Com o passar dos dias, seus sentimentos vão mudando e as coisas vão ficando mais fáceis.

 

Conheça sua/seu filha(o). Faça carinho nela(e), dê comida, tire fotos. Reserve um tempo para si. Visite um lugar calmo onde possa simplesmente esquecer os problemas por um tempo.

 

Fale com outros pais. A ANGAAD - Associação Nacional de Grupos de Apoio à Adoção disponibiliza em seu site o contato dos Grupos de Apoio à Adoção espalhados pelo país.

 

Mande uma mensagem. Pegue o telefone. Da primeira vez pode ser muito difícil, mas realmente ajuda falar com alguém que já passou pela experiência. Ignore comentários inúteis.

 

Mesmo se forem de pessoas próximas a você.

PRIMEIRO EU !

Máscara de oxigênio e nossas prioridades

Patrícia Almeida

Quando a gente está no avião, a comissária de bordo diz: “Em caso de despressurização da cabine, máscaras de oxigênio cairão à sua frente. Ponha primeiro a sua e depois ajude a quem estiver ao seu lado.” A mensagem é clara. Numa emergência, primeiro

você tem que estar bem para poder socorrer o outro.

 

Muitas vezes deixamos os cuidados com nós mesmos para o segundo plano. Dá sempre pra esperar um pouco mais pra ir ao médico, dentista, comer comida saudável, fazer ginástica… às vezes a situação é mais grave ainda. A gente deixa pra depois até os cuidados pessoais mais básicos como escovar os dentes, tomar banho, ou até remédios.

 

Parece que tem sempre alguém mais importante que nós – filhos, maridos/mulheres, trabalho, causas…

 

Nem sempre a gente reconhece esses sintomas porque eles podem ser muito sutis e não incomodar muita gente – afinal estão todos sendo assistidos primeiro, menos você, não é verdade?

 

O pior é que geralmente nós só nos daremos conta dessa descompensação quando o motor começa a bater-pino. Aí é uma coleção de diagnósticos – estresse emocional, depressão, síndrome do pânico e até derrame, aneurisma, ataque cardíaco.

 

Por isso, tome cuidado: se a gente não se cuidar direito, pode não estar preparado para quando a máscara de oxigênio cair à nossa frente.

Como mãe ou pai, você é a pessoa mais indicada para decidir quanta informação é adequada para dar aos seus outros filhos, a depender da idade deles, do seu nível de compreensão e de sua curiosidade. Não tenha medo de contar às crianças o mais cedo possível. Fale de uma forma honesta e aberta. A adoção não pode ser um segredo. Eles podem não entender ou não lembrar de todas as informações, portanto siga o ritmo deles. Responda às perguntas à medida que elas forem surgindo. Você pode querer esclarecer coisas como:

  • - Irmãos e irmãs são muito importantes para uma criança.

  • - Sua/seu irmã(o) vai ser seu/sua companheira(o), e vocês vão poder brincar juntos.

  • - Sua/seu irmã(o) vai querer participar e fazer as mesmas coisas que você gosta de fazer.

  • - Você pode ensinar para ela/ele as brincadeiras de que mais gosta e aprender com ele/ ela outras brincadeiras novas.

  • - Vai ser ótimo vocês poderem contar um(a) com o outro(a) para aprender juntos(as).

  • - Sua/seu irmã(o) terá uma história diferente da sua para contar, outros parentes biológicos, um passado do qual vocês não participaram, mas que compõe a sua individualidade. Não negue isso. Trate com naturalidade.

  • - Sua/seu irmã(o) é tão filho de sua mãe e/ou seu pai como você, tem os mesmos direitos e deveres.

  • - Sua/seu irmã(o) crescerá ao seu lado como sua/seu amiga(o) e parceira(o), para sempre.

  • - Nós te amamos muito e nós amamos sua/seu irmã/o também. A chegada da(o) sua/seu irmã(o) não vai diminuir o amor que sentimos por você.

 

Seus filhos vão seguir o seu exemplo. Se você tratar a deficiência/doença crônica e a adoção como apenas um aspecto da vida da(o) sua/seu filha(o), as crianças também o farão.

Outras pessoas

Contar a novidade para a família e os amigos pode não ser fácil, dependendo da visão de mundo das pessoas ao seu redor. Só você sabe quando e como é melhor contar sobre a adoção às outras pessoas. Em algumas ocasiões é melhor esperar até que você própria(o) tenha elaborado melhor a notícia para poder ser capaz de lidar com a reação dos outros.

 

Só você pode decidir o quanto da história da(o) sua/seu filha(o) quer compartilhar com as pessoas e que palavras usar.

 

“Assim que eu adotei, mandei um email para todos meus amigos e familiares dizendo que minha filha tinha síndrome de Down, que ela era linda e que estávamos apaixonados por ela. Foi a melhor forma que encontrei de dar a notícia aos outros sem deixar dúvidas de que estávamos recebendo aquela criança de braços abertos, e que esperávamos que

todos fizessem o mesmo”

A maioria dos amigos vai reagir da forma que sinalizamos que queremos. Portanto, se você expressar tranquilidade, eles reagirão com tranquilidade.

 

Algumas vezes, a família, os amigos e pessoas que você encontra na rua vão dizer coisas muito insensíveis e ofensivas, quase sempre baseadas na falta de informação. Você pode ignorar esses comentários ou, quando se sentir mais segura(o), aproveitar a ocasião para educar. As pessoas vão seguir o seu exemplo se você estiver abertos, for honesta(o) e positiva(o) com relação à deficiência/doença crônica ou outra diferença. Dê cópias deste livro para a sua família e amigos. Quando sair com a criança, você pode não ter certeza se as outras pessoas percebem alguma diferença. Você pode escolher se quer ou não mencionar

FALANDO DE SEUS SENTIMENTOS PARA OS OUTROS IRMÃOS E IRMÃS

                                             

Quando minha filha, nasceu, há quase cinco anos, eu vivi um dos melhores momentos da minha vida. Depois de duas gestações perdidas, a filhinha que tanto planejamos e esperamos se materializava ali – linda e fofa como imaginávamos.

 

O bebê rosado recebeu nota alta dos médicos – Apgar 9 e 10! – e foi direto para o quarto, sem precisar ficar na incubadora. Instalada no bercinho ao lado da minha cama, não cansava de olhar para a minha filha. Eu estava radiante! Aquela pequenina criança com que tanto sonhamos vinha completar nossa família. Não faltava mais nada para eu ser feliz!

 

Minha felicidade durou pouco. A pediatra de plantão entrou no quarto. Ela dormia. Eu, ainda com o sorriso estampado no rosto, quis tirar uma dúvida boba sobre a aparência da minha filha.

 

– Doutora, esse olhinho dela não é meio Down, não?

 

Eu já sabia a resposta, claro que não poderia ser. Como na época eu tinha 39 anos e sabia que a probabilidade de ter um bebê com síndrome de Down era maior, fiz todos os exames, inclusive genéticos, que comprovaram sem sombra de dúvida que a filha que eu esperava não tinha síndrome de Down. Só que ninguém me contou que medicina não é matemática e que erros médicos acontecem. Por tudo isso, eu não estava preparada para a resposta da médica:

– É sim, inclusive ela tem vários outros sinais…

 

– Como é que é?????????

E foi aí que o meu estado de graça se transformou em desgraça. A pergunta que me intriga é: onde será que foi parar aquela filha idealizada, fofinha e saudável, que se tornou realidade por algumas poucas horas e acabou se transformando no pior dos pesadelos?

 

Ela continuava ali, quietinha, dormindo diante de mim, mas, cega pelas lágrimas do meu próprio preconceito, eu não conseguia mais vê-la.

 

Infelizmente, naquele momento eu, que me achava uma pessoa lida, informada, que acreditava que não discriminava ninguém, pensei que a minha felicidade e a da minha família iria acabar com a entrada de uma criança com deficiência intelectual na família.

 

Por fim consegui enxergar minha filha como uma menina como outra qualquer.

 

E só então me dei conta de que fui educada para ter preconceito com relação à deficiência intelectual.

 

Nós não nascemos com preconceito. Ele é um valor adquirido socialmente. E quando recebemos na família uma criança com deficiência é fundamental assumirmos nossos próprios preconceitos e nos livrarmos deles o mais rápido possível.

PRECONCEITUOSA, EU?                                              Patricia Almeida

DEIXE QUE SUA/SEU FILHA(O) OS CONQUISTE

A maioria dos pais supera essa fase inicial à medida que a criança começa a interagir, sorrir e brincar, conquistando aos poucos toda a família. A partir daí os pais começam a esquecer o “rótulo” que impuseram a(o) sua/seu filha(o) e conhecer a personalidade da criança. Ela/ele se tornará um membro indispensável da sua família, apenas mais uma parte do seu cotidiano. Muitos pais passam a dizer que “não mudariam sua/seu filha(o) por nada no mundo”. Eles começam a gostar de ver a criança crescer, aprender, se relacionar e ser adotada pela família inteira. Costumam descobrir que eles próprios dispõem de qualidades

que não pensavam que tinham e que suas famílias e amigos não conheciam.

Surge então o  entendimento. A vida começa a se acomodar e assumir o curso próprio.

 

Você passará a olhar sua/seu filha(o) e ver apenas uma criança que precisa do amor e do estímulo dos pais. Uma criança cheia de potencial e que, se tiver oportunidades, certamente a(o) surpreenderá positivamente no futuro. Você passará a ver apenas sua/seu filha(o)!

​"Eu não mudaria em nada minha filha."

                       

Somos todos diferentes e reagimos à adoção de nossas filhas/nossos filhos de maneiras muito variáveis.

Alguns de nós encararam tranquilamente adotar uma criança com deficiência, doença crônica, ou outra diferença, provavelmente porque já conviviam ou tinham informações sobre o assunto.

Alguns de nós se surpreenderam com a possibilidade em um primeiro momento e logo se acostumaram com a ideia.

 

Alguns de nós se desesperaram e não acreditaram que conseguiriam passar por aquilo.

 

Alguns de nós sofreram muito e mergulharam no fundo do poço, com medo do desconhecido e do futuro, ficando inseguros.

 

Alguns de nós se sentiram perdidos, sem forças e imaginando não saber por onde começar.

 

Alguns de nós pediram socorro e outros ficaram em silêncio.

 

O que todos nós temos em comum é uma filha ou um filho com alguma diferença.

O que todos nós provavelmente concordamos é que tudo seria bem melhor se a sociedade tivesse uma visão mais positiva sobre pessoas com deficiência e doenças crônicas ou de alguma maneira diferentes delas.

 

Seria melhor se as escolas tivessem uma visão mais positiva sobre as diferenças.

 

Seria melhor se o resto da família, amigos, vizinhos e desconhecidos tivessem uma visão mais positiva sobre quem consideram diferente.

 

Seria melhor se cada um de nós tivéssemos uma visão mais positiva sobre deficiência, doenças crônicas ou qualquer diferença.

 

É a partir de como cada um de nós olha nossa(o) filha(o) que a sociedade vai mudar o seu olhar. Eu e você temos a oportunidade de conviver e aprender e perceber que o preconceito é algo antigo, sem sentido, que não nos leva a um mundo melhor.

 

Temos em nossos braços agora a oportunidade de jogar fora tudo o que de negativo já ouvimos sobre deficiência e doenças crônicas ou diferenças em geral e olhar pra essa criança que está conosco apenas como NOSSA FILHA, NOSSO FILHO.

FILHA. FILHO. Sem rótulos. Sem julgamento de valor. Sem mais ou menos. Sem valia. Sem medições.

 

Nossa(o) filha(o) tão desejada(o).

 

Nossa(o) filha(o) pra quem faremos tudo o que está ao nosso alcance, a quem ensinaremos tudo o que sabemos, a quem amaremos até além do infinito e a quem mais profundamente desejaremos que seja mais feliz e mais completa(o) que nós mesmos.

 

Nossa(o) filha(o). Com seu sorriso, suas lágrimas, seus sonhos, seus medos. Suas limitações, seus defeitos, suas qualidades e dificuldades. Uma/um filha(o) com suas próprias características.

 

Nossa(o) filha(o) tem características diferentes da maioria.

 

Sim, nossa(o) filha(o) foi adotada(o) mais velha(o), tem deficiência, doença crônica, é de uma etnia diferente da nossa. Isso é parte de quem ela/ele é!

 

Se a gente conseguir olhar pra nossa(o) filha(o) apenas como nossa(o) filha(o), esquecendo maioria e minoria, esquecendo o que dizem os outros, os diagnósticos, as probabilidades...

 

se a gente conseguir sentir nossa(o) filha(o) apenas como nossa(o) filha(o), nossa jornada será um aprendizado!

TRÊS VIVAS PARA MINHA/MEU FILHA(O)                      Mariana Reade